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quinta-feira, 1 de maio de 2014
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
O sono desigual, por Danilo Gomes Guedes
A poesia
ganhou as ruas
aderiu ao pão
transformou em
eco o silêncio
em cimento a
verdade
pôs concreto
nos espelhos da cidade
Fez refletir
na folha
o sono
desigual
de trapos e
lençóis
contra o linho
e a seda
À noite na lua
e com a rua
um poeta
chamado sonho
criou as mais
belas imagens
mas não pode transformar a realidade
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Ser Bonita, por Maria Elza Araujo
Moça bonita, de
pele rosada, dedicada, inteligente...
Se possível
fosse, misturar a ela outra, só que
De
pele escura.
Quão
magnífico ficaria esse amalgama.
Logo no
primeiro encontro, fácil foi perceber
O quanto estes
adjetivos lhe cabem.
É sabido que
anda alimentado os sonhos
Dos amantes dos
dizeres escritos.
Para tanto
recolheu sua própria âncora
Dos caminhos
literários e pôs-se a velejar.
Caminha sobre
duas rodas,
Uma Pagu[1]de
nossos tempos.
[1]Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu. Foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora,
desenhista e jornalista brasileira de meados do século XX.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
A Ti - por Maria Elza Araujo
Que força tem este semeador!
Tantas fez brotar e desabrochar.
No retorno, andam a lhe
Perfumar os caminhos.
Gostam de ficar, e a ele embalar
Com bobagens, carinhos...
Que pouco atreveu-se a dar.
Por guardar sempre com
Desconfiança de errar.
Nas voltas e reviravoltas da longa
Caminhada,
Hoje é possível notar.
Conheça o primeiro livro da autora clicando aqui!
Tantas fez brotar e desabrochar.
No retorno, andam a lhe
Perfumar os caminhos.
Gostam de ficar, e a ele embalar
Com bobagens, carinhos...
Que pouco atreveu-se a dar.
Por guardar sempre com
Desconfiança de errar.
Nas voltas e reviravoltas da longa
Caminhada,
Hoje é possível notar.
Conheça o primeiro livro da autora clicando aqui!
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Tratado do coração das coisas ditas, por Ni Brisant
Boa noite pessoal, vim divulgar o livro que o próprio autor disponibilizou para divulgação de seu trabalho!!!! Estamos aqui para apoiar e espero que aqueles que acessarem o link possam fazer o mesmo!
Acessem e apreciem, divulguem, dêem retorno!
Download aqui:
https://docs.google.com/file/d/0B4Vq2JCzR3UiZnlBV19aY1BFZXM/edit?usp=sharing
Acessem e apreciem, divulguem, dêem retorno!
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terça-feira, 2 de abril de 2013
Felicidade, por Vicente de Carvalho
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
terça-feira, 26 de março de 2013
O Bicho, de Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Mãos dadas, Carlos Drummond de Andrade
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens
presentes, a vida presente.
sábado, 19 de janeiro de 2013
É ela! É ela! É ela! É ela!, por Álvares de Azevedo
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
e o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
a minha lavadeira na janela.
Dessas águas furtadas onde eu moro
eu a vejo estendendo no telhado
os vestidos de chita, as saias brancas;
eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido,
nas telhas que estalavam nos meus passos,
ir espiar seu venturoso sono,
vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
um bilhete que estava ali metido...
Oh! decerto... (pensei) é doce página
onde a alma derramou gentis amores;
são versos dela... que amanhã decerto
ela me enviará cheios de flores...
Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
eu beijei-a a tremer de devaneio...
É ela! é ela! — repeti tremendo;
mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!
Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas,
Se achou-a assim tão bela... eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camisinhas!
É ela! é ela, meu amor, minh'alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela...
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou — é ela!
Retirado deste Link.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Cortar o tempo, por Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
...Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra adiante vai ser diferente para você,
desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
...A esperança renovada.
Para você,
desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe
desejar tantas coisas
mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo a sua felicidade!
Foi me dado a conhecer em minha linha do tempo no facebook pela minha amiga Gisa Oliveira.
Muito obrigada amore, amei e retribuo à todos!!!!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Com licença poética, por Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Esse é para rebater este post:
Poema das sete faces, por Carlos Drummond de Andrade
(retirado do site:
www.releituras.com/aprado_bio.asp)
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Esse é para rebater este post:
Poema das sete faces, por Carlos Drummond de Andrade
(retirado do site:
www.releituras.com/aprado_bio.asp)
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
"Do mau estilo" - Mário Quintana
Todo o bem, todo o mal que eles te dizem, nada
seria, se soubessem expressá-lo...
O ataque de uma borboleta agrada
mais que todos os beijos de um cavalo
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Poema das Curvas, de Oscar Niemeyer
Não é o ângulo reto que me atrai,
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Velho Tema II
Vicente de Carvalho
Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.
Quero que meu amor se te apresente
- Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.
Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.
Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.
Eu adoro esse autor, ele é tão complexo que apesar de eu não gostar muito de parnasianismo, acabo por ser apaixonada por ele tanto quant poe Cruz e Souza!!!!
Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.
Quero que meu amor se te apresente
- Não andrajoso e mendigando agrados,
Mas tal como é: risonho e sem cuidados,
Muito de altivo, um tanto de insolente.
Nem ele mais a desejar se atreve
Do que merece: eu te amo, e o meu desejo
Apenas cobra um bem que se me deve.
Clamo, e não gemo; avanço, e não rastejo;
E vou de olhos enxutos e alma leve
À galharda conquista do teu beijo.
Eu adoro esse autor, ele é tão complexo que apesar de eu não gostar muito de parnasianismo, acabo por ser apaixonada por ele tanto quant poe Cruz e Souza!!!!
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